last night
05/07/2011
garota poeira do espaço
12/10/2010breaking the law
17/09/2010new old magzines
14/09/201016 junho
07/09/2010
vida que persiste, que brota, vem do alto da escada, para fora e para dentro. quanto falta, o que me falta? deveria ser assim, como deveria ser? nada de novo de novo, um espelho, pela janela a navalha na mão e a brisa do nascer do dia. menina da aurora de quem gosto, sou ilha em meu mundo. gosto de que? pão, manteiga e mel na boca. doce, o sabor da vida pela manhã, ergue sua torre, avista o mar. passeia pelas praias rochosas, rochedos de abacaxi. meu romance infraliterário, um rock e um bokete espera pelo cara com 19 bucks na mão. negros e prostitutas, a escória. mas não estou lá, ontem é hoje e esta noite. “o amor ama amor o amor”, fuzilem este cachorro, ele não merece viver. nenhuma pedra ficará no lugar. mais a frente aquelas mesmas dunas brancas , areias pretas e chuva. demorando a cair… um pouco e aos poucos. vida inexplicável, tudo que sei esta do outro lado desta ponte. rio sem fim. minha cólera de novo mundo, paisagem repleta de erros, floresta densa com terra molha, cheiro de coisa escura, vou passar a noite aqui. no ponto de ônibus pessoas perdem-se no meio do caminho, quero me perder também, perdição, maldição e salvação. ser meu pai e meu avô. mistério sobre o céu azul e sinos tocam 11. bloom! o pior horário do dia. bloom! segunda badalada de aço e concreto. me perder de tanto que passa, ver passar as garotas e seus olhos escurecidos, minha penélope, amo mais do que sei. vida que sei que passa é passado, passando por mim a canção de hoje é um lugar perto. judite é rockstar, veste calça colada, calcinha enfiada. esquece de tudo na cabine, quer tocar seu destino é tocar, a vida pesa menos lá. não sei quanto tempo temos, um dia, quem sabe? apenas um… hoje… hoje a pista esta mais quente que a noite passada. papeis passados, passando, de papeis trocados, repartidos, divididos, comungados, adornados, adorados, idolatrados, seu altar a protheus. number 9, number 9, number 9 ,number 9, number 9, number 9 ,number 9 ,number 9, number 9, number 9, number 9, number 9, um , dois, três, number 9. são as garotas do asfalto, seu balanço dão movimento aos olhos. anjos, deda luz, o mais perto de mim, luciferes, meninos e suas armas de fogo, canos fumegantes, armados, amados. uma montaria, uma bebida. ponha a mão na sua cocha. “calma ainda é noite esta noite”. bjorn andresen, soldado sonhador, sem dinheiro para comprar sua guitarra, sem educação e pai vadio. marinheiro cruzando as ruas, seus oceanos, seu reino inferior. esta ao meu lado e em tudo que amo e me deixa vivo, “silencia os automóveis e as motocicletas”, traz a tona o membro enrijecido de sangue. um time de futebol, cruzadas urbanas, ganguês de bichas. pobre andresen, não é tadzio e nunca será. sua alma é macula, sua camiseta branca esta manchada. os faróis fashonistas não curtem suas estampas, finge estar morto pois assim seu rock pode leva-lo ao gosto dos outros, subindo a rua numa noite quente. são coisas que deixei para traz. mas o que eu sei? o que eu sei? ela comanda a próxima música, conduz o carnaval. ele o dj da noite, vai romper corações e dormirá sozinho, sem abrigo, com seus ouvidos estourando. tiranos do meu road movie; eu quero o céu, lamber as estrelas. uma garota legal, beijos de amor e fugas desesperadas. foge para bem longe, onde nenhuma emoção possa alcançar seu coração sangrando, seu buda ditoso, seu rg, meu número de telefone, são 30 bucks; agora… siga em frente, deixe seus pertences, caminhe nu até a próxima porta, saída. a moça bonita não tem ninguém, mas atende muito bem, mora num albergue, vive numa república, cita allan gisberg: “let me kiss you hard!!!” seriam as vespas, uma, duas, três, por vezes elas, as vespas, 34 carros roubados, viagens sem destinos, elas tencionavam um dia realizar numa quarta-feira ou sábado de viajar, para londres, via alto mar para não dizer que jamais houvera viajado extensamente nenhuma grande extensão pois que elas eram de coração aventureiro nato. viajando na contra mão. veneno vespal, é isso que liga, azul, você sente um sabor doce na boca, dai você fica mole, sente um formigamento no rosto, sente medo de morrer, quer resistir, mas já era… é a velha escola saca? não há nada de novo nisso, tudo vem e vai; de taxi, pois estou muito bêbado para dirigir, quem dirige é o taxi driver, não é? já eu sou passageiro que passa, vendo a as luzes passar, e quando você pensa… não pense haja, a reflexão faz todos nós covardes. rua eeccles, n.7, minha ilha, L. H. O. O. Q., máquinas criptográficas underwood, flexíveis para viagens, metralhadora e pistola. o coração quer sair pela boca, enfermidade que só se cura com gelo, on the rocks, a esta altura estão todos abraçados com a noite, mais 800 cavalos de potência, garanhão viril, ela ainda vai pisar fundo, esmagar o que resta da sua alto estima, ela vai acelerar seu futuro que passa. qual que é?!!! estamos nesta juntos, mas não tão juntos assim, seria só mais um que fica pelo caminho. ainda não decolamos, sei lá… pior que se desculpar por gostar de alguém é escolher sua forma de morrer. vou lá, lá eu sei minha amiga, não quero te deixar aqui sozinha. lá fora o roxinol, a judite virgem e as flores sem perfume. esta massa cinzenta, este barro do que o homem foi feito. quero saber: será melhor ser feliz sem esta quinta essência? um pedaço de paraíso; aprender e terminar. quero ficar com você, eu te quero tanto… vou sorrir e me virar num sono no qual não consigo escapar.

verão namibia
25/08/2010[assistant] paulo bueno [style] mariana ferrareze [make up] thais lima [modelo] xica santos
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18/08/2010…palavras úmidas habitam o ar cheias de vazios preenchendo a alma de quem encontrou, constroem suas casas em paisagens. não esta lá, passa se a vida a dizer sobre as coisas. a dizer que as conheceu e que sabe o que é mas fugiu. passa como passa as coisas e nós por elas e novamente as coisas que são evocadas para estarem ao nosso lado, sem corpo. por fim repousam cansadas aqui.
- escute… o nosso coração. pulsando na penumbra de algodão; silêncio azul quase fresta de um dia normal. lugar para se estar. criança que brinca tem o dia como amigo. tudo é você; quem sou eu? mas antes! e depois…?
pela janela um raio difuso toca o dedo de um pé esquerdo descoberto em sua natureza; de sonos diurnos sobre o que somos da noite repleta em enganos de infinitudes; costas lisas dadas a um abraço forte convida ao colo a cabeça povoada de finos raios de sol. entram na minha boca, entra onde sou entre, guarda e me escapa. ter é tardar… enquanto o rio me leva. bico do peito é botão de rosa cor de rosa é uma rosa, areia clara, praia deserta exposta; delta de vênus.
at 23hs 38min…
15/08/2010







…she on the phone
…he make drinks
é só se ligar…
voodoochild
15/08/2010ordea at S2
10/08/2010ordea sleeping at studio S2, i think she hate came here.
calm, calm down
you’re exhausted
come lie down
you don’t have to explain
I understand…
verbo e carne
09/08/2010
você pode mover as palavras
“a palavra é o meu domínio sobre o mundo.”
clarice lispector
exposto na parede do segundo andar do anexo da galeria vermelho um conjunto de releases tomava as paredes comumente ornadas de obras (resumo não é propriamente a obra). composto por uma imagem e o texto, várias ações nelas estavam documentadas e comentadas pelos seus idealizadores. ali parte importante de uma retrospectiva de outras edições da verbo; espaço-tempo que a galeria vermelho promove para a performances em são paulo, evento mais que importante na esfera das artes visuais. lá havia ironia, engajamento, poética do corpo e do ego, conceituais e experimentais, tecnológicos, transcricionais, em fim, uma variedade estimulante. enquanto leio alguém me diz: “o papel aceita qualquer coisa e uma imagem diz pouco sobre uma determinada ação”. é difícil se opor a esta realidade. a verbo não é composta somente por artistas da galeria, um edital cumpri a função de selecionar artistas de todo o brasil e exterior, uma grande parte dos que se apresentaram são convidados. não há também aparente lucratividade direta, mesmo pq esta filha do happening e neta do situcionismo carrega este lado pouco mercadológico de obra de arte. a verdade é que, esta aparente falta de vocação ao produto cultural que a performance ostenta, se deve ao fato de que a arte se vale das estruturas econômicas e sociais e desenvolve um discurso próprio. ela é mercadoria circulante e valor em forma de kapital, mas esta disposta sobre estas estruturas em forma de arranjo e não submetida a ela. por isso esse carácter dúbio permanente. então onde esta este capital adjacente? o mais óbvio é aponta-lo na própria circulação do evento, na sua entropia espetacular, mas há desdobramentos. já que a performance subverte na sua constituição as formas tradicionais de produto cultural, uma vez que não há como comercializa-la diretamente - poderia se comprar entradas ou fazer simpósios pagos sobre o tema - este valor se dissipa no artista, ele próprio uma mercadoria. isso ocorre para além do controle de galeristas e artistas, simplesmente ocorre. paralelamente a isso outro modo de capitalização se desenvolve no campo do encontro, palco/suporte da performance. a espetaculização, para usar um termo situacionista, produz um gênero de espectador interessado na transmissão de valor para si, consome a ambientação construída para as ações em life style. não é mais a ação ou a obra ou o artista o que move o encontro, mas uma migração daquilo que é mais adjacente as artes. uma espécie de resíduo da “aura perdida” apontada em walter benjamin agora ocupada por esta mercadoria simbólica, que aliena o espectador da obra de arte, agregando status a seu trabalho de customização da persona.
isso não é uma novidade, mas é importante apontar sua manifestação, pois é justamente neste ambiente em que a criação de dá. todos os aspectos da relação público e obra, manifestados ou não, conscientes ou não, compõe o discurso atual da arte contemporânea. é neste contexto que lia chaia, “que meus olhos te protejam“, se destaca. não pelo seu sucesso mas por sua impossibilidade. o que não significa fracasso, pelo contrário é uma realização inesperada. em uma breve apresentação,“(…) múltiplos olhos no corpo para se relacionar com os inúmeros olhares dos outros (…)”, e a partir da transposição da relação do corpo observado passando a ser o observador de quem antes observava, a ação pressupõe uma relação de olhares, táteis, epidérmicos, olhares de reconhecimento. isso não aconteceu. em um dia bastante cheio, o público pareceu descolar-se da performance. o olhar, tão caro para proposição agora vagava perdido e muito ágil para fora e através, olhava e não via ou não queria ver. esse acontecimento, da obra que foge as suposições do artista, é mais comum do possa parecer, foi anotado enquanto conceito pela primeira vez quando marcel duchamp retirou o a noiva despida pelos seus celibatários trincado após um transporte mal sucedido. desde lá, este conceito adquiriu outros contornos. a obra de arte é um objeto parcial e foge a intenção do artista. lia pretendia trazer a instancia terna e intima ao espaço coletivo, se deparou com enregistamento das relações e um cinismo plácito, com isso a obra deslocou-se diferentemente do proposto, em uma transposição de significação. em outro aspecto estamos lidando com uma questão da designação de público em uma determinada ação, neste caso a formação de um espectador ativo, mas que hoje em dia se apresenta passivo consumidor das imagens e das formas enquanto estilo de vida.

a mesma parcialidade do objeto artístico é notada também nas ações que atingiram suas proposições estéticas e as ultrapassaram. paula garcia, #2 da série - corpo ruido, discuti o corpo em relação a ação das forças que constituem, moldam e aprisionam, próteses e equipamentos, o corpo máquina que possibilita mas entrava. são esferas de atuação sobre o corpo não são apenas institucionais e sociais, mas também a maneira como estes dispositivos são reelaborados em relação aos processos de subjetivação, toda uma série de modelos e processos, íntimos ou públicos, que buscam moldar a o corpo físico e sua representação de autonomia do indivíduo. uma roupa imantada produz magnetismo que mantém presos peças metálicas ao corpo da artista. o magnetismo, força que gera a possibilidade de coesão, atração, é apresentada também como força de conflito - força/conflito e poder/atração. o resultado formal é uma armadura que aprisiona o ser e limita seus movimentos. o que vemos em seguida, com os movimentos da ação, é um corpo que resiste e uma estrutura que se desmancha em som e forma. psicológica e social, a obra promove uma reflexão sobre o engajamento do indivíduo em si e seu ser no mundo. neste ponto o oposto do constato por lia chaia. paula recusa clichês, um alento numa exposição que primou pela repetição, sua obra é original, e ideal do ponto de vista hegeliano. esta menos ligada a nu descendo a escada de duchamp, uma comparação deliciosamente inevitável, e mais ligada a arte de louise bourgeois, não só pelo seu carácter intimista mas pela relação que se pretende do espectador, tocado pelo xoque e alívio; nesta busca em demonstrar um forma de libertação.
with no reason
to hide these words, I feel

“os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos…”
nelson rodrigues
panorâmica da praia de botafogo . rio de janeiro: esta imagem emblemática é tradução da auto imagem do brasil , tradição contida nos poemas de josé de alencar. ela até hoje não serve apenas ao deleite exótico do estrangeiro, mas também ao escapismo romântico de um povo que se enxerga pelos olhos do outro. calor, dia límpido, a paisagem calma da enseada de botafogo; a natureza acolhedora e maternal, um efeito produzido por sua formação geologia mais antiga. sensualidade é uma palavra que vem a mente ao contemplar estas paisagens; a idéia de um paraíso espetacular onde a natureza, sábia e generosa, acolhe seus filhos que parecem viver em outra esfera de questões. exuberância e fartura estão escancaradas aos dias e noites que se sucederão. não há espaço para dor nem sofrimento, não há pobreza nem injustiça, apenas o belo quase consensual no seu esplendor democrático. o nível mais material de utopia vivenciado. nesta construção do belo, o pais metaforizado, vive o prazer narcíseo do reflexo hipnotizaste da antiga capital sobre a baía de guanabara. o próprio nome da cidade, rio de janeiro, é um clamor daquele que estupefato viu e não enxergou o que de fato não se tratava de um rio mas sim de uma baía. talvez desde então passasse a ser a sina de uma cultura multifacetada e de sucessão ledos enganos a quem tentaria abarcar o brasil como um. na verdade o brasil ainda esta longe do paraíso que se promete nesta paisagem, injusto e violento pra além da violência natural, o rio de janeiro é em parte síntese e produto da cultura nacional. ao largo do extremo sul da cidade cresce um pais invisível e cruel.
e eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
e entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo.
pode ser que seja
22/07/2010“a sorte aumenta a vida, na medida em que aumenta a possibilidade, que é a própria vida sentida. a vida é a conservação do possível.”
paul valéry
não há algo mais ultrapassado no universo da imagem que o conceito de nu artístico. ouso a dizer, sem me certificar historicamente, que a cunhagem deste termo já pressupôs a eliminação destes objetos das categorias artísticas. em geral se caracteriza pela representação da forma do corpo nu associado hora a escultura figurativa, algumas vezes se valendo do preto e branco numa clara alusão aos mármores de esculturas clássicas, hora a uma pintura acadêmica, exercitando um passado que já não pertence mais as questões artísticas. o termo possui caráter reacionário ao inscrever os demais nus como não artístico, desta maneira reivindicando para si uma “aura”, algo altamente questionável, se colocando hierarquicamente superior aos demais. contudo não estaríamos isentos destes retrocessos se sua forma simplesmente findasse nesta rotulação, é possível identificar aspectos mais perversos pois não se trata de um atributo do conteúdo subjetivo mas inalienávelmente ligado forma. esta sobreposição em face de um conteúdo esvaziado, onde só a forma é a questão, o caracteriza como fascista. mais do que representação este tipo de abordagem é um deslocamento, uma ênfase sobre como nos relacionamos frente a determinados objetos artísticos.
exposta as lógicas de uma sociedade midiática e consumista tanto o trabalho de mona kuhn como o de ryan mcginley. produzem uma forma secundária de relação com alguns. mesmo a revelia dos artistas, em suas obras, uma armadilha tentadora nos aguarda. estaríamos fadados a uma forma de deslocamento obtusa se a beleza sensual dos corpos desnudos e a jovialidade dos modelos nestes dois exemplos constituírem o principal interesse destas imagens. os corpos como fim de um discurso encerraria toda a forma transgressora e libertária contida, condenando a experiência a um misero consumo mercadológico; que de fato ocorre, não podemos negar. neste caso é o estilo de vida que interessa, consumido como um roteiro de um cruzeiro marítimo, o prazer como objeto de culto fetichista. são os ícone hedonista, a última e derradeira forma de egoísmo; de isolamento do ser humano. uma substituição é proposta: em lugar da criação, aceita-se um consumo e a reprodução que garantem um encarceramento do distúrbio sobre os modelos vigentes.
aos 40 segundos de uma entrevista de 7 minutos em video dada por mona kuhn uma frase implacavelmente importante sobre sua obra é deferida: (…) a way to keep a “momento” of who they are and the time that we spend together. a fotografia, assim como o cinema (entenda video também) esta sempre se rearticulando no seu papel na arte contemporânea. em parte se deve ao seu caráter democrático e popular que torna relativamente fácil a manipulação da técnica, ainda mais com ampla difusão dos computadores e seus editores de imagem, o que não significa a satisfatória organização dos elementos desta linguagem. o momento, é um elemento ativo das imagens fotográficas ou cinematográficas. é mais do que uma temporalidade, é também um espaço comum, é algo que se referencia e portanto passível de troca. com isso; e neste caso dou enfase a palavra, abre-se uma perceptiva de coabitação, desde que eu não mais perceba esta imagem como uma totalidade que meu olhar percorre, mas como uma duração que me atravessa.
quando coloco uma condição para coabitar este espaço de troca ativo da imagem ,estou pressupondo uma potencialidade que depende de um determinado deslocamento do observador para se consumar. o esforço do artista esta em traçar o caminho que nos levará até esta troca. nem sempre ele é sereno, quente e macio como as fotos de mona kuhn - uma delicadeza particular do espírito da artista - entretanto é através de alguma condição de identificação que a estrada se apresenta. na mesma entrevistas são proferidas as palavras: quem somos nós, comunidade, vida em conjunto, adentrar um mundo, trazer vida e arte juntas, redefinir a nós mesmo. é visitando uma comunidade nudista na frança que mona kunh formula uma outra possibilidades para existência, outras formas de coabitar. a relação com a fotografia e o binômio máquina-fotógrafo estão inseridos, por mais que kuhn fuja num determinado momento, dando a impressão de uma direção de arte e modelos que possam, o mais importante é que de fato ocorre a criação de um espaço de convívio comum, que é compartilhado com o observador, onde o objeto são as inter-relações humanas. portanto kuhn esta inserida, modifica e é modificada por esta realidade que mergulha. sua ferramenta é o encontro e seu processo o convívio. é daí que toda a possibilidade de troca, inclusive com o observador, surge.
os mesmos elementos aparecem nas fotos de mcginley, os modelos parecem estar esquecidos de sua nudez e isso nos causa uma sensação de semelhança. aquilo que de fato interessa esta “between”. uma forma transposta no paradiga de samuel beckett. ryan propõe vários jogos e atividades e é neste momentos que as fotos surgem, esta teatralidade da vida real propiciada por aquilo que compartilham. a naturalidade beira um idealismo bucólico, mas o que de fato anuncia é um universo paralelo, uma outra dimensão possível, mas que não se impõe como condição ideológica. o tempo é um presente em continuidade, não é a ode à nostalgia da juventude, o que se sobressai é a experiência vivida, a troca, é nela que a vida acontece, festiva alegre e sobretudo disposta a aceitar sua condição para que se possa ir além. tudo acontece neste mundo, que é paralelo mas também é comum e integrado. o subversivo esta na vivência destas formas utópicas sem necessariamente sejam modelos de projetos sociais, sem que se imponham como doutrinas éticas ou formas pré concebidas do belo. a liberdade esta em simplesmente ser porque é, sem destino, mas com escolha.
vanitas
10/07/2010“nós devemos morrer, mas na hora certa.” assim falava zaratrusta se referindo ao ciclo da vida e nossa, certa, tragédia final. as fotos de andres serrano nesta série intitulada the morgue, (o necrotério) podem passar para o espectador uma sensação de ruptura com seu significante. o beijo fatal, as chagas de cristo, o sono. a forma de representação através da iconografia clássica esta presente em todo o trabalho de serrano. o paralelo com a arte quinhentista e sessentista possibilita a elevação necessária para que adentremos no templo do sagrado. esta formalização busca produzir uma emoção moral no espectador, um enigma não soluto da materialização de um estado que só conheceremos no outro; lembranças de rembrandt e goya. uma força nos leva a encarar nossos corpos, nossas vidas e a ação violenta da natureza sobre o humano; o momento mori. neste afloramento se produz toda a monumentalidade desta obra, sua forma e seu conteúdo dispostos levemente sobre o significante, anteriormente rejeitado, agora revelado como um sopro silencioso. este trabalho é uma afirmação do sujeito, uma constatação da dimensão da existência, não há exclusão do observador, pelo contrário; por outro lado não há crítica o que permite que a obra nos atravesse. é tempo mais do que espaço, comunhão solitária.
toda a obra de arte tem a capacidade de produzir sentido a existência humana, indicar um caminho possível, rearranjar no caus da realidade algo passível de assimilação, de entendimento sensível, mais do que lógico. é dado a este ofício qualquer ferramenta que possa resgatar da totalidade das coisas algo que produza uma identificação. do contrário estes objetos são descartáveis. produzir estas formulações é um trabalho contante que o artista tem consigo e com o mundo, falhar e consumar faz parte do processo. é certo que a obra busca um sentido primeiramente para o artista, mas hoje a arte cada vez mais busca o outro para sua realização plena, mesmo quando ela é a impossibilidade. portanto é a capacidade de produzir este sentido que esta no centro das problematizações da obra contemporânea. mas não devemos entender este aspecto dentro de uma estrutura fechada, uma escola ou doutrina estética, o que seria ridículo hoje em dia, mas sim como contraponto que representamos neste universo.
de fato o grande descrédito em relação a arte contemporânea não se dá pelo seu discurso auto referencial. isso seria o mesmo que dizer que ela é historicista, um equívoco. esta arte de salões fechados para iniciados serve ao mercado e por este viés pouco importância terá no desenvolvimento da linguagem estética (mas deixo esta questão para um outro post). a origem desta aversão esta na frustração pela ausência de um sentido anterior a ação humana, algo que explique. seria como órfãos assutados com um mundo impossível de ser abarcado. de fato é muito mais estimulante, pois este sentido só pode acontecer em nós.
aqui vemos o dr. nicolaes tulp demonstrando através da técnica da dessecação o sentido. a luz banha o cadáver e ilumina a mente dos vivos tirando-os das trevas. a pinça do artista mergulha no mistério e a traz a superfície onde todos podem ver a verdade objetivamente. se você “olhar” bem dá para “escutar” os murmúrios de admiração - hummmm… hooooo… - este é o exato momento em que tudo faz sentido. em serrano não há um doutor ou um deus, diria até que eles não existem como estrutura em toda a arte relevante de nossa época. o que pode existir é uma latência destes elementos dando a devida movimentação ao nosso espirito. não existe alguém que demonstra, nenhum anjo ou céu, nenhuma ciência ou ideologia, apenas o fundo preto do mistério e nós a contemplar o destino anonimo sem qualquer explicação. não há sentido prévio, somente a morte violenta por doença, envenenamento, assassinato; a fatalidade. na obra de arte contemporânea nem a ciência nem a religião tem a capacidade de dar sentido a vida. o mundo atual não é harmônico e ordenado por nenhuma força que deve servir de espelho ao homem. a ciência ajudou a derrubar esta ideia assim como a religião desmoronou sobre os pilares de seus fundamentos. “o homem é uma corda atada entre o animal e o supra-homem ”. “deus está morto” não é?
and gloomy browed with superfear their tragic endless lives
could heave nor sigh in solemn, perverse serenity, wondrous beings chained to life…
…so softly a supergod cries














